Delegado explica por que técnica escolheu bebê específica em maternidade


A investigação do Departamento de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) acredita que a técnica em enfermagem Auricelia Rocha, suspeita de tentar levar um bebê da Nova Maternidade Evangelina Rosa, não escolheu aleatoriamente a vítima. Em entrevista à TV Cidade Verde nesta terça-feira (15), o delegado Hugo Alcântara afirmou que a investigada teve contato com a família antes da tentativa de sequestro.

“Nós conseguimos obter a informação já formalizada de que a investigada estava de plantão no dia 5 de julho. O parto da mãe da vítima se deu no dia 4, e o fato, no dia 6. Então, é provável que a investigada tenha tido algum tipo de contato antes do fato com a vítima, já que estava escalada de plantão”, disse a autoridade policial, que também pontuou o que teria motivado a escolha por aquela vítima em específico.

“O fator principal na escolha, talvez, foi que a bebê recém-nascida era do sexo feminino e ela já tinha feito um chá de fralda anteriormente com as colegas da maternidade. Ela falava que inclusive era uma menina. A escolha da vítima, uma mãe de 14 anos, que estava acompanhada da irmã e sem o pai presente no local. Acreditamos que, muito provavelmente, isso não seja uma mera coincidência ou uma aleatoriedade”, pontuou o delegado.

“O namorado também mandou alguns prints de algumas conversas que teve com ela, que falavam sobre aquisição de coisas para o bebê, a própria compra do berço; ele mandou até um comprovante via Pix da aquisição do berço. Tinha outras mensagens trocadas entre eles relatando isso. Então, assim, já temos uma quantidade, um volume grande de informações”, completou Alcântara.

A investigação identificou indícios que apontam para a premeditação do crime. “Ela tinha um quarto todo montado com berço, banheira de bebê, fraldas e, enfim, toda a estrutura pra receber uma criança ali, roupinhas de criança de sexo feminino. Para os parentes ela falava que ela estava grávida de fato. E conversamos com o namorado, que relatou que, desde o ano passado, ela falava que estaria gestante”, completou.

Outro fator que corrobora essa hipótese foi a estratégia adotada pela técnica de enfermagem ao tentar retirar o bebê da maternidade. “Acreditamos que realmente essa escolha não foi aleatória. Toda a dinâmica que a investigada usou, até o momento de escolha do horário. O fato se deu ali por volta do horário de almoço, um intervalo, e como ela conhece as rotinas, sabia que seria um momento de menor vigilância”, ressaltou o delegado.

A previsão é que o inquérito do caso seja concluído nesta sexta-feira (17), mas a DPCA não descarta a possibilidade de prorrogação da investigação. “As diligências dependem de outras pessoas, das intimações e das respostas. Temos uma diligência pericial que precisa de um laudo das imagens. Então não descartamos a possibilidade de uma dilação de prazo, mas o esforço tem sido empenhado para tentar concluir dentro do prazo legal”, frisou.

Fonte: Cidade Verde
Jornalista Filipe Germano

Jornalista DRT 0002288/PI, Historiador, pós-graduado e editor chefe do Portal São Miguel Agora.

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