O aumento no preço dos combustíveis já é percebido por consumidores em Teresina. Os valores saltaram de uma média de R$ 5,59 a 5,70 o litro para R$ 6,19 até 6,59 em menos de uma semana, após o início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Segundo o presidente do sindicato dos donos de postos de combustíveis do Piauí, Guilherme Parente, a alteração ocorre por fatores ligados ao mercado internacional de petróleo devido ao cenário internacional, incluindo o conflito, que influencia a cadeia de produção e distribuição de derivados de petróleo.
Principalmente depois do fechamento do Estreito de Hormuz, rota utilizada para transporte de parte do petróleo comercializado no mundo. Do canal, saem cerca de 25% do óleo bruto produzido em todo o mundo, e um bloqueio de longo prazo pode afetar em massa o fornecimento de combustíveis vitais para a economia mundial.
Com o aumento do preço do barril e do dólar, além da elevação de custos de seguro e frete de navios, o valor do combustível acompanha a variação do mercado global.
“O combustível é uma commodity. É negociado no mundo todo e segue o preço internacional do petróleo, que é o Brent”, afirmou.
Nesta semana, chegou a passar dos 100 dólares o barril, algo que não se via desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. O petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120. Desde o último dia 28, quando EUA e Israel bombardearam o Irã e assassinaram o líder supremo Ali Khamenei, o preço do petróleo subiu 51%.
Segundo Parente, o Brasil ainda depende de importação de combustíveis. Ele afirma que entre 20% e 40% do mercado nacional é abastecido por produtos comprados no exterior.
O presidente do Sindpostos explicou ainda que importadoras e distribuidoras adquirem combustíveis com base no preço internacional. Quando existe diferença entre o valor praticado no país e o valor externo, pode ocorrer redução na importação.
“Se continuar do jeito que está, a Petrobras pode fazer um reajuste nos próximos dias, porque a paridade internacional está alta”, disse.
Ele afirma que parte das distribuidoras já repassa alterações de custo e que alguns postos enfrentam dificuldade para adquirir combustíveis. “Tem postos que não conseguem mais comprar combustível, principalmente aqueles que não têm contrato com grandes distribuidoras e compram no mercado”, afirmou.
Diferença entre gasolina e etanol
Parente também explicou que a gasolina e o diesel são considerados commodities no mercado internacional, enquanto o etanol segue dinâmica ligada à produção agrícola.
“No Brasil, a gasolina é misturada com cerca de 30% de etanol anidro. Isso influencia no preço final do combustível”, disse.
Ele afirma que, durante a entressafra da cana-de-açúcar, entre janeiro e maio, o valor do etanol tende a subir, o que pode impactar o preço da gasolina mesmo quando há redução anunciada por refinarias.
Como referência para o consumidor, ele orienta que o etanol compensa quando o preço corresponde a até 70% do valor da gasolina.
“O consumidor precisa fazer o cálculo. Se o etanol estiver até 70% do valor da gasolina, compensa abastecer com álcool. Acima disso, compensa a gasolina”, afirmou.
